Carlos Eduardo Lins da Silva

Carlos Eduardo em 1989, na Folha, época em que dividia sua atuação no jornal com aulas na ECA (foto: Fabio M. Salles/Folhapress)
Carlos Eduardo em 1989, na Folha, época em que dividia sua atuação no jornal com aulas na ECA (foto: Fabio M. Salles/Folhapress)

Minha relação com a ECA teve início em 1977. Eu havia acabado de concluir o mestrado em Comunicação na Michigan State University como bolsista da Comissão Fulbright. Ainda lá, entrei em contato, por carta, com o José Marques de Melo, que estava ensinando como professor visitante na Universidade de Wisconsin, e de quem eu havia lido livros fundamentais no meu curso de graduação em Jornalismo na Faculdade Casper Libero.

Assim que cheguei de volta ao Brasil, eu o procurei. José Marques foi como um pai acadêmico para mim. Eu não teria tido uma carreira universitária sem o apoio, o incentivo e a orientação que ele sempre me ofereceu, com sua generosidade.

Em Michigan, eu havia me encantado com a vida acadêmica. E o José Marques estava sempre disposto a ajudar jovens que quisessem dedicar-se a ela. Eu tinha 24 anos de idade, trabalhava nos Diários Associados, mas queria ir para a universidade. José Marques me levou para a Faculdade Casper Libero e me sugeriu que eu me inscrevesse num programa de professor voluntário na ECA, onde naquele momento não havia vaga aberta para novos docentes.

Trabalhei como voluntário na ECA por seis meses mais ou menos, até que abriu uma vaga, e eu fui contratado. O José Marques também me levou para a Metodista de São Bernardo, e eu consegui um lugar também na Faculdade de Comunicação de Santos (FACOS). Com isso, consegui dedicar-me apenas à vida acadêmica, que era o que eu queria na época. Na ECA, além de dar aulas, eu comecei o programa de doutorado, sob a orientação do José Marques.

Em 1983, apareceu uma oportunidade de eu ir para a Folha de S. Paulo, onde me engajei na grande reforma que foi chamada de Projeto Folha, sob a liderança de Otavio Frias Filho. Embora a carga de trabalho na Folha fosse imensa, eu não quis me afastar da ECA. Pedi a mudança de meu regime na USP, de tempo completo para tempo parcial.

Com isso, eu dava aulas na graduação e na pós uma vez por semana tanto no período matutino quanto no noturno, e atendia orientandos de mestrado e alunos da graduação que quisessem conversar comigo, na Folha. O Otavio estimulava minha presença na ECA. A proximidade do jornal com as universidades era uma prioridade para ele.

Eu indiquei vários de meus melhores alunos de graduação para trabalharem na Folha, e alguns deles se tonaram nomes importantes tanto naquele jornal como em outros veículos. Prefiro não citar nenhum deles para não cometer indelicadeza involuntária porque a memória não é suficiente para eu conseguir incluir todos os que mereceriam ser citados.

Em 1991, fui nomeado correspondente da Folha em Washington. Pedi licença não remunerada da USP e renovei esse pedido em 1992. Meu contrato com a Folha como correspondente era anual, sem garantia de renovação automática. Eu não queria me desligar da ECA, mas não podia dar certeza de quando eu voltaria para o Brasil. A Escola precisou da minha vaga e pediu para eu me demitir, o que fiz em 1993. Talvez tenha sido o certo mesmo, porque eu só retornei para São Paulo no final de 1998.

Senti tristeza porque gostava demais do convívio com os alunos. Dei aulas em diversas faculdades e universidades no Brasil e nos EUA. Em nenhuma delas eu me senti tão realizado em sala quanto na ECA. Felizmente meus laços com a Escola não se romperam totalmente.

Com alguma frequência sou convidado por meus ex-colegas professores para participar de bancas de qualificação e de defesa de tese na ECA, e tento aceitar todos os convites. Tenho amizade com vários professores ainda na ativa na Escola que às vezes também me chamam para participar de atividades, e eu vou sempre que posso. Mas nada substitui o convívio que o professor tem com os estudantes ao longo de um semestre ou mais em classe.

A ECA é uma presença muito importante na minha vida profissional e afetiva. E, sem dúvida, tem dado uma contribuição imensa para todas as profissões das áreas da comunicação e das artes no país, como eu posso testemunhar especificamente no caso do jornalismo.

Carlos Eduardo em 2022 (foto: Germano Lüders)
Carlos Eduardo em 2022 (foto: Germano Lüders)
Aluno Turma Curso
Carlos Eduardo Lins da Silva 1981-1984 Doutorado em Jornalismo e Editoração
Professor Turma Curso
Departamento de Jornalismo e Editoração 1977-1991 Jornalismo
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