
O EdA – Espaço das Artes da ECA-USP realiza em junho a exposição 4 Eméritos, com trabalhos dos artistas e ex-professores da ECA Carmela Gross, Carlos Fajardo, Evandro Carlos Jardim e Regina Silveira. O evento integra as festividades dos 60 anos da ECA, homenageando os quatro professores, reconhecidos como artistas fundamentais na arte brasileira contemporânea. Aberto ao público com entrada franca, a exposição pode ser visitada de segunda a sexta das 10h às 20h, até 31 de julho de 2026.
A exposição foi idealizada pelo professor Marco Giannotti por ocasião do recebimento, também em junho, do título de professor emérito pelos quatro artistas que lecionaram no Departamento de Artes Plásticas da ECA. Os quatro também atuaram na Pós-Graduação em Artes Visuais do CAP e tiveram papel crucial na consolidação do lugar do artista na universidade, ao salientarem a criação artística como inerente à pesquisa acadêmica. Eles formaram gerações de artistas e suas atuações acadêmicas tiveram impacto significativo na arte brasileira.
A mostra comemora as amplas trajetórias dos quatro artistas e professores na arte, representadas por algumas de suas obras-chave, entre elas algumas mostradas ao público pela primeira vez. Embora sejam trabalhos de fisionomia e abordagens diferentes, em suas trajetórias eles elaboraram alguns problemas comuns. Os quatro repensaram a inserção da obra em um contexto urbano novo, resultado do contraditório processo de modernização brasileira. Além disso, responderam de forma altiva às mudanças radicais na arte contemporânea desde os anos 1960 e 1970. Os artistas se puseram a pensar na chegada de novos materiais industriais e de uma nova realidade do trabalho.
Evandro Carlos Jardim
Evandro Carlos Jardim apresenta gravuras que integram a tese de doutorado “Reflexões sobre a Prática da Gravura em Metal”, com orientação de Walter Zanini, defendida na ECA-USP em 1989.
Nascido em 1935, em São Paulo (SP), sua obra é reconhecida pelo domínio técnico e pela abordagem sistemática do desenho e da gravura. Em seus trabalhos, destacam-se as paisagens urbanas, a natureza e referências à literatura. Formou-se na Escola de Belas Artes de São Paulo na década de 1950. Em 1966, realizou sua primeira exposição individual na Galeria Ponto de Encontro e, no ano seguinte, participou da 9ª Bienal de São Paulo. Gravador, desenhista e pintor, especializou-se em gravura em metal, sobretudo na técnica da água-forte. Obteve os títulos de mestre e doutor em Artes pela ECA, onde foi professor de 1972 até sua aposentadoria, em 1993. Em 1974, recebeu o Prêmio de Melhor Gravador do Ano, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Além de exposições individuais, participou de várias mostras coletivas, como a Bienal de Veneza e diversas edições da Bienal de São Paulo, além de expor em museus de cidades como Bruxelas, Tóquio e Madri. Possui obras em coleções de diversos museus do país e uma de suas gravuras integra o acervo do Museum of Modern Art, em Nova York.

Regina Silveira
Regina Silveira exibe uma instalação em vinil adesivo, composta por imagens agigantadas de mãos aplicadas sobre uma parede, além de uma maquete desse trabalho.
Nascida em 1939, Porto Alegre (RS), mora e trabalha em São Paulo. Artista multimídia, seu trabalho abrange arte pública, instalação, vídeo, objeto, obras em papel, entre outros, questionando as formas tradicionais de representação visual, muitas vezes lidando com o estranhamento em distorções e jogos de sombras e de escala. Formou-se em Artes Plásticas no Instituto de Artes da UFRGS e estudou pintura e gravura com Iberê Camargo, realizando posteriormente mestrado e doutorado na ECA. Foi bolsista das Fundações Fullbright, Pollock-Krasner e Guggenheim. Como educadora, lecionou em diversas instituições, como a UFRGS, a Universidade de Porto Rico, a FAAP e o Departamento de Artes Plásticas da ECA. Suas obras já foram mostradas em diversas bienais, exposições individuais e coletivas em todo o mundo, como a Bienal de São Paulo, a Bienal de La Habana, a Bienal do Mercosul e a Bienal de Taipei. Entre suas exposições individuais nos últimos anos, destacam-se Lumen, no Palácio de Cristal do Museu Reina Sofia, em Madri (2005), Outros Paradoxos, no MACUSP (2021) e Modus Operandi, no IAC-SP (2025).

Carmela Gross
Carmela Gross apresenta o trabalho “O Fotógrafo”, composto de lâmpadas fluorescentes vermelhas e cavaletes metálicos.
Nascida em 1946, em São Paulo (SP), sua produção artística revela um olhar crítico sobre a cidade contemporânea, em sua dimensão política e social, envolvendo desde a concepção da obra, passando pelo processo de produção, até sua disposição no espaço expositivo, com ênfase na relação dialética entre obra, espaço urbano e público. Formou-se em Artes na Fundação Armando Álvares Penteado. Obteve os títulos de mestre de doutora em Artes pela ECA. Diante dos desafios da arte-educação no final dos anos 1960, seus primeiros trabalhos como educadora foram desenvolvidos em praças públicas, com atividades plásticas voltadas para crianças (1966-1971), em São Paulo. Lecionou na Escola de Belas Artes de São Paulo e no Departamento de Artes Plásticas da ECA, entre 1972 e 2015. Participou de grandes mostras coletivas como a Bienal de São Paulo, a Bienal de Moscou e Arte/Cidade. Entre suas exposições individuais mais recentes estão La Carga, Museo Experimental El Eco, Cidade do México (2012), Fendas, Fagulhas, Galeria Vermelho, em São Paulo (2021), e Quase Circo, Sesc Pompeia, em São Paulo (2024). Possui obras em coleções públicas de diversos museus do país e do exterior.

Carlos Fajardo
Carlos Fajardo expõe uma instalação composta por vidros espelhados de grande formato, ocupando integralmente uma das salas de exposição do EdA.
Nascido em 1941, São Paulo (SP), sua produção desenvolve-se principalmente no campo da escultura e da instalação, frequentemente em diálogo com o espaço público e a cidade. Cursou a Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie e, em 1966, ao lado dos artistas Geraldo de Barros, Wesley Duke Lee, Nelson Leirner, José Resende e Frederico Nasser, integrou o Grupo Rex, que marcou o cenário da arte brasileira na época por suas propostas inovadoras. Em 1970, foi um dos fundadores da Escola Brasil, instituição que desempenhou importante papel na formação de diversos artistas. Lecionou no Departamento de Artes Plásticas da ECA e atuou como orientador da pós-graduação em Poéticas Visuais. Possui obras permanentes em diversos locais públicos, entre eles a Universidade Federal de Londrina, o Parque da Marinha em Porto Alegre, o Museu de Arte Moderna de São Paulo, a Fundação Demócrito Rocha e o Parque do Cocó, em Fortaleza, além da cidade de Laguna, em Santa Catarina. Entre as coleções públicas que abrigam seus trabalhos destacam-se o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o Itaú Cultural e o Museu de Arte Contemporânea da USP.



