
Fernanda Pompeu (Cinema 1977) apresenta “Cá Camila ou uma invenção de Alegria”, seu quarto livro
Fábulas dizem muito a respeito de cada um de nós, questionam nossas atitudes, nosso olhar perante a existência, apresentam possibilidades, sensibilizam. “Cá Camila ou uma invenção de Alegria” de Fernanda Pompeu cumpre deliciosamente esse papel.
Cá Camila é uma boneca de cedro esculpida por Alegria, habilidosa artesã, que dá forma a uma protagonista singular. Ao longo da narrativa, ganha vida, lançando-se a realizar o seu sonho: conhecer Veridiana, no sul da Bahia. O caminho que a levará até esse ponto, no entanto, é tortuoso, uma viagem repleta de descobertas.
Somando realidade e fantasia, Cá Camila testemunha as agruras da guerra das Malvinas, respira os ares da ilha de Paquetá, dá uma passada por Machupicchu, defronta-se com o horror de Hiroshima, entre experiências em que conhece personagens responsáveis por moldar as suas percepções.
Basta um olhar atento às entrelinhas do romance para identificarmos a sua proposta. Cá Camila tem a resistência do cedro. Sua alma reflete a nobreza das intenções envolvidas em sua elaboração. Um somatório que a preparou para não esmorecer mesmo em face a toda sorte de tropeços, afinal seu objetivo é chegar em Veridiana, que significa “a verdadeira divina” ou “cheia de vida”, ampliando a cadeia de simbolismos empregados no texto. Mais: até nos momentos desfavoráveis, enxergar o lado bom, não perder a fé na humanidade e muito menos em si mesma são pontos altos da trama.
Força física. Força de caráter. Força espiritual. Quem as tem segue em frente, busca, não desiste no meio do caminho. Quem não abre mão dos seus sonhos é feliz e pleno. Algo muito simples de entender, mas complicadíssimo de colocar em prática como o fez Cá Camila.
Porém não pense que a obra de Fernanda Pompeu é um livro de autoajuda travestido de uma estória fascinante. Ele não dita regras, não é uma dessas receitas de bolo de como acordar sorrindo e dormir satisfeito. Muito pelo contrário. A inteligência e talento da autora foram empregados para nos fazer um convite: desemperrarmos as portas das nossas intocáveis racionalidades, permitindo que por elas transite o melhor que carregamos no coração, nossos sentimentos e emoções, provocando uma simbiose capaz de ressignificar as nossas vidas, de maneira a também transformá-las em “uma invenção de Alegria”.
Fernando Brengel

Sobre a autora
Fernanda Pompeu ingressou na ECA em 1977 na turma de Cinema. Sua paixão pela literatura a levou a realizar as obras “64”, “Quando eu era velha”, “Escriba errante” e, recentemente, “Cá Camila ou uma invenção de Alegria”. Colunista do ÁgoraECA, quinzenalmente publica o “Crônicas Ecanas”, dedicado a revisitar as memórias do seu tempo de estudante. Ativa nas redes sociais, registra a sua produção no www.fernandapompeu.com.br.

Serviço
“Cá Camila ou uma invenção de Alegria”. 160 páginas, capa dura, editora Labrador, 2026. À venda na Drummond Livraria, Martins Fontes, Livraria da Villa, Livraria da Travessa, Livrarias Curitiba, Amazon e no site da editora Labrador.

Fernando Brengel é publicitário formado pela Escola de Comunicações e Artes da USP — ele entrou na turma 1982, mas acabou fazendo o curso de Publicidade e Propaganda com a turma de 1983. É diretor de criação da agência Presença Propaganda, diretor da Empório Barilotto Bebidas & Sabores e colaborador do ÁgoraECA.


